| Protesto dos trabalhadores da RTP a "recibo verde", hoje em Lisboa, à hora do telejornal da 13h00. Foto Lusa/Sapo |
segunda-feira, 5 de novembro de 2018
Hoje há precários! Amanhã? Não sabemos...
quarta-feira, 8 de novembro de 2017
“Aquele querido mês de Agosto” deixa saudades! E Miguel Gomes é um ovni...
“Aquele querido mês de Agosto” (2008) é um ovni do cinema português, que aterrou nas salas de cinema do mundo inteiro, causando espanto e admiração. Documentário ou falso documentário? Filme de adolescentes? Ficção, mera ficção? Musical? Drama familiar e social? Um filme dentro do filme?
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| Fábio Oliveira/Hélder e Sónia Bandeira/Tânia, actores amadores ao nível dos melhores profissionais, são o par amoroso ficcionado e "documentado", que domina "Aquele querido mês de Agosto" |
“Aquele querido mês de Agosto” é tudo isso e não é nada disso! A história é simples: uma rapariga canta na banda do pai nas festas de verão nas aldeias da região centro do país (nos concelhos de Oliveira do Hospital, Góis, Arganil, distrito de Coimbra). O seu primo de 17 anos chega à aldeia com os pais, antes de seguir para Estrasburgo, onde se vai instalar. Com dotes musicais, começa a tocar guitarra na banda e os dois jovens iniciam uma relação. A rapariga perde a virgindade com o primo e este segue com os pais para França.
Este é o drama familiar e social, com alguns pormenores decisivos, como o facto de o pai (que é também o produtor no filme-dentro-do-filme) e a filha acreditarem que a mãe desaparecida foi raptada por extraterrestres, embora na aldeia muitos acreditem – incluindo o pai do rapaz (irmão da mulher desaparecida) – que o casal mantém uma relação incestuosa.
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| Sónia Bandeira numa das cenas finais: despedida e recordação do amor consumado |
Mas estamos instalados no domínio do documentário desde o início do filme: as festas populares nestas aldeias são mostradas como um documento etnográfico, antropológico, sociológico. Desde o Paulo “Moleiro”, o “menino do rio”, que se atira ao rio Alva para ganhar uns trocos e que foi atropelado por marroquinos e que se embebeda militantemente aos fins de semana. O emigrante carregador de andores de procissão com uma hérnia discal que se diz iluminado por um milagre quando o seu andor da Rainha Santa se cruzou com o andor da N.ª S.ª da Saúde. Os cantores e músicos das bandas de música popular (“pimba”) e os pares de dançarinos nas festas nocturnas. Os cafés onde se bebem minis, em meio a conversas fúteis e localizadas, procurando iludir a posição da câmara dos cineastas. A rapariga (que é a protagonista da ficção) que no verão também é vigia florestal, em permanente contacto com os bombeiros via rádio. A banda filarmónica, os bombos e os gigantones, os tocadores de concertina (e acordeão) e os cantadores ao desafio. Os bombeiros em vigia e em curso na proteção da floresta. A paisagem luxuriante do interior centro do país, apesar do predomínio dos eucaliptos. Os atores e figurantes amadores.
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| A "cena do casting", propositadamente absurda, com Miguel Gomes ao centro (de vermelho) e Vasco Pimentel (2.º à esq.) a segurar o "coelho". E restante equipa de realização, produção e actores. |
E depois o filme dentro do filme. Uma pequena equipa de filmagem, com o próprio realizador, a confirmar que não tem dinheiro para prosseguir o filme, preocupado apenas com as brincadeiras pessoais, com experimentação sonora, em discussões com o produtor e com a equipa, quase desculpando-se perante o espectador por não ter actores, não ter história e ir filmando o que vê no interior do país, em pleno Agosto.
Mas não nos iludamos: Miguel Gomes é um prestidigitador diplomado! Há um facto que é descrito nas notas de produção divulgada à imprensa: esgotou-se a película de 35mm em filmagens nas aldeias, mas ainda nem havia filme. Então a equipa foi para o terreno (o filme foi rodado em 2006 e 2007) filmar em 16mm, incorporando a ficção, no documentário (ou vice-versa), surgindo como pano de fundo a contextualizar o falso-documentário, a ficção e o filme dentro do filme.
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| Cartaz oficial 2008 |
O resultado é notável! “Aquele querido mês de Agosto” é uma obra maior do cinema português, um filme que pisca o olho ao espectador, que mostra o interior de um país pobre e atrasado (como sempre foi desde a Idade Média), a crendice e a superstição, a "condição" de emigrante, a dicotomia cidade-campo, envoltos numa básica história de amor adolescente, protagonizada por actores amadores, sem que isso seja um inconveniente.
E aquela banda sonora… Ninguém imaginaria um filme de qualidade com uma banda sonora onde pontuam Tony Carreira, Banda Diapasão e Marante, Banda Gomape (Emanuel & companhia), José Cid, Dino Meira, José Malhoa, Broa de Mel, Trio Odemira, Conjunto Oliveira Muge… E depois novamente aquele piscar de olhos (Ouvidos? Sentidos?), com as Variações de Goldberg, de Bach, que, de repente, é um dos momentos mais pirosos do filme, porque já não se imagina a paisagem sem aquela vulgar música “pimba”, música popular maliciosa e com a lágrima ao canto olho.
Imperdível, para ver, rever e chorar por mais. Miguel Gomes é um dos mais imaginativos realizadores de cinema em actividade. E é português!
Menção para o trabalho de som, muito bom, muito bom, que nos brinda com excelentes misturas (em campo/fora de campo) no início, que depois são motivo para os diálogos finais entre o realizador e director de som, que são mais uma piscadela de olho ao espectador.
De referir ainda os inúmeros prémios e críticas que o filme conquistou e que podem ser vistos no sítio da produtora O Som e a Fúria, aqui, e também uma dissertação de mestrado em estudos artísticos apresentada na Universidade de Coimbra por Daniel Filipe da Costa Boto, que pode ser lida aqui.
quinta-feira, 21 de abril de 2016
sexta-feira, 12 de julho de 2013
A pluralidade na televisão portuguesa e a desonestidade de Pacheco Pereira
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Pequeno apontamento sobre a evolução das mentalidades em Portugal
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Diz-me onde vives que eu digo-te quanto é que ganhas!
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| Nuno Ferreira Santos, publico.pt, 1st May 2012, Lisbon |
Na Rússia (salário mínimo: €115)
Em Israel (salário mínimo:?)
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| elpais.es, 1st May 2012, Madrid, Spain |
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| Mohamed Azakir/Reuters; 1st May 2012, Beirut, Lebanon |
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Jornalistas Portugueses na Greve Geral de 24 de Novembro de 2011 – Guia essencial para participação da classe
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| A foto ilustra uma notícia sobre a greve decidida pelos jornalistas pernambucanos, a 7 de Novembro de 2011, e foi publicada originalmente pelo OmbudsPE.org.br, um projecto de comunicação do Centro de Cultura Luiz Freire, a quem agradeço a reprodução. |
Como se sabe, a Direcção do Sindicato dos Jornalistas apoiou a convergência das duas centrais sindicais na convocação de uma greve geral para o próximo dia 24 e tem explicado aos jornalistas as razões pelas quais é importante a participação de todos nesta jornada de luta. Nesse sentido, apresentou e publicou um pré-aviso de greve de 24 horas, abrangendo os jornalistas ao serviço das entidades singulares e colectivas proprietárias de órgãos de comunicação social.
Procurando apoiar os jornalistas nas formas de participação na Greve Geral que queiram adoptar, bem como esclarecer dúvidas que ainda persistam relativamente ao exercício desse direito, a Direcção pede a maior atenção para o seguinte:
1. Direito à greve – O direito à greve é garantido a todos os jornalistas, independentemente da natureza do vínculo contratual, da posição hierárquica na empresa, da localização do posto de trabalho e da qualidade de associado.
2. Direito ao silêncio – As empresas não podem recolher informações prévias sobre os jornalistas que tencionam ou não aderir à greve, nem os trabalhadores são obrigados a prestar essa informação, seja a que pretexto for, não podendo o seu silêncio sofrer qualquer sanção. Todas as iniciativas das empresas com esse objectivo devem ser denunciadas.
3. Sem restrições – O jornalismo não é uma actividade compreendida nas obrigações de serviços mínimos nem há qualquer restrição ou excepção legais ao direito de participação dos jornalistas na greve, não podendo ser aceite qualquer pretexto imposto pelas empresas, inclusivamente o fecho de edições.
4. Excepções – Em caso de situações excepcionais, designadamente catástrofes naturais de grande magnitude ou calamidade pública, será o próprio Sindicato dos Jornalistas a determinar a suspensão total ou parcial da greve, com vista à adequada cobertura informativa dessas ocorrências.
5. Período de paralisação – O pré-aviso e greve abrange todo o dia 24 de Novembro, isto é, entre as 00h00 e as 24 horas. Os jornalistas cujos horários de trabalho se iniciem antes das 00h00 ou terminam após as 24 horas paralisam por todo o tempo de trabalho desde que o mesmo seja maioritariamente prestado nesse dia.
6. Adesão – A adesão dos jornalistas à greve consiste na sua não comparência ao trabalho e não carece de qualquer formalidade, nem sequer de justificação, nem prévia nem posterior, uma vez que o pré-aviso de greve constitui justificativo bastante. Os jornalistas que decidam aderir à greve já no decurso da respectiva jornada de trabalho podem abandoná-la a qualquer momento.
7. Permanência nas redacções – Os jornalistas em greve devem abster-se de permanecer no interior das redacções, mesmo que a pretexto de realização de tarefas que não se relacionem com a edição do dia. O eventual acesso aos locais de trabalho para efeito de verificação de adesões à greve deve ser feito de forma breve e discreta e sem interferir no direito a trabalhar de outras pessoas.
8. Piquetes e concentrações nas empresas – Nas empresas onde for possível, nomeadamente na sede da Agência Lusa, na sede da RTP e na RTP-Porto, os jornalistas que puderem deslocar-se por meios próprios deverão concentrar-se com outros trabalhadores à porta das instalações, pelo maior período de tempo possível.
9. Concentrações sindicais – A fim de dar expressão pública à jornada de luta, o movimento sindical realiza concentrações de trabalhadores em várias dezenas de localidades, especialmente nas capitais de distrito. É importante a participação também dos jornalistas que puderem deslocar-se para esses pontos.
10. Pequenos actos – O êxito da greve geral também pode ser obtido através de pequenos mas importantes actos, tanto pelos trabalhadores em greve como por aqueles que não têm condições para cumprir a greve como gostariam, contribuindo para dar força a esta luta.
Alguns exemplos:
- Não utilizar transportes públicos;
- Em caso de utilização de transporte próprio, reabastecer o combustível na véspera;
- Fazer as refeições em casa, de preferência preparadas de véspera. Em caso de necessidade de fazer refeição fora, levar de casa;
- Abster-se de fazer compras no dia, precavendo-se das necessárias na véspera e adiando as menos urgentes para o dia seguinte;
- Reduzir ao mínimo estritamente indispensável o consumo de electricidade, gás, água e de comunicações telefónicas;
- Não levar os filhos às creches/jardins-de-infância e escolas;
- Abster-se de recorrer a serviços públicos e/ou privados a não ser em caso de absoluta necessidade.
A Direcção do Sindicato de Jornalistas»
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Defesa do serviço público de informação silenciada em Portugal
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Angela Merkel wird vermißt!
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Papa em Portugal: Dia 1 (e último!)
O telejornal das 20h00 coincidiu com o final da missa que o Papa celebrava em Lisboa, no renovado Terreiro do Paço, de onde estava a ser emitido o serviço noticioso. 20h50, o telejornal ainda não deu outras notícias que não sejam a visita do Papa, que teve sempre cobertura em directo. Depois do espaço publicitário, seguem notícias nacionais (fala-se à boca cheia, sem qualquer informação oficial, de que o Governo e o principal partido da oposição aceitam cortar o subsídio de Natal do trabalhadores portugueses – uma das mais violentas medidas contra os trabalhadores desde a década de 1980; aeroportos nacionais encerrados por causa da nuvem do vulcão da Islândia; relatório da comissão de Ética do Parlamento sobre a liberdade de expressão finalizado), e da Europa (novo governo na Inglaterra) e do desporto (a Selecção Nacional de Futebol entra em estágio para o mundial que começa em Junho) e …mais Papa! O telejornal termina às 21h33, na mesma altura em que se justifica o directo: o Papa a dirigir-se aos jovens, a desejar boa-noite e a agradecer. Telejornal acabou por durar mais três minutos, finalizando com imagens do Papa e música sacra.
De notar que a única vez que o Papa se dirigiu aos jornalistas, no avião que o transportava para Portugal, durante 15 minutos, a cobertura foi deficiente, para não dizer outra coisa. Mostrou-se uma declaração fora do contexto que unanimemente foi associada aos casos de pedofilia na Igreja, e comentários de jornalistas da Reuters e RAI sobre o que disse. E o que disse o Papa durante 15 minutos? Não sabemos. Pelo jornalista da RAI soubemos que abordou a crise economia mundial e a questão das sociedades capitalistas.
(no canal 2 da RTP finalmente uma lufada de ar fresco no comentário sobre a visita papal, pelo jornalista da TSF e padre Manuel Vilas-Boas)
Deixo-vos o link do contrato assinado entre o Governo e a RTP (32 páginas em pdf)
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Tudo o que você sempre quis saber sobre... mas nunca teve coragem de perguntar
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Tiananmen?
Deixo estes links, que foi a única coisa decente que encontrei:
http://wiki.france5.fr/index.php/TIAN_ANMEN,_MEMOIRE_INTERDITE
http://toutsurlachine.blogspot.com/2009/05/television-tiananmen-memoire-interdite.html
domingo, 10 de maio de 2009
Serviço Público na televisão portuguesa!




Está quase a fazer um ano que morreu Bartolomeu Cid dos Santos. Não sabia quem era até há pouco. Às vezes a televisão pública surpreende, apenas porque está a cumprir o seu papel. Vi o documentário de Jorge Silva Melo sobre o artista e fiquei fascinado; e informo essas cabeças bem pensantes que não conheço tudo e nem consigo. Mas agora já sei quem foi Bartolomeu Cid dos Santos porque a televisão pública cumpriu o seu papel. Não, não vi Os Contemporâneos, nem o Marcelo, estava a dar algo muito, muito melhor no outro canal.
Há bastante informação na web, pode saber algo mais do Barto, aqui, aqui e aqui. Ficam algumas imagens.
[ACT. 24/Mai/2009: o Benárd morreu no mesmo dia do Barto, mas um ano depois]
















