sábado, 14 de novembro de 2015

Liniker – "Cru" (2015)

Mais uma noite aziaga, mais um dia aziago... Deixo, em homenagem a todas as vítimas dos atentados de Paris, na noite de 13 de Novembro de 2015...; Deixo, por despeito a todos os terroristas, intolerantes, fascistas, xenófobos, dirigentes da União Europeia e estados proto-fascistas...: Uma lição de paz, tolerância, amor, democracia humanista, respeito e alegria pelo momento único que experienciamos, dia após dia da nossa existência enquanto seres humanos, imperfeitos, limitados, mas únicos e inigualáveis...: Um tema do brasileiro Liniker com do EP "Cru", que prenuncia o álbum "Remonta", que se anuncia para breve. Download gratuito aqui.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Duda Brack – É (2015)

É, sim senhor! Grande som! Download gratuito em www.dudabrack.com. Recomendado. Rock de alto nível cantado na língua de Camões, por mares nunca antes navegados, muito para além da Taprobana! Fique com os teasers, bem filmados, mas muito atrás do grande trabalho "É". Duda, diz a rede, tem 21 anos! Quem diria?!

sábado, 20 de junho de 2015

"1 século de energia" por Manoel de Oliveira

Duas ou três coisas sobre a EDP e sobre Manoel de Oliveira. Sobre a EDP quem passa pelo Meios de Produção sabe o que se pensa sobre monopólios e abuso de posição dominante. Nada se disse sobre a recente privatização que o actual governo fez do capital que o Estado detinha na EDP, mas também não era preciso dizer muito: um crime de lesa-pátria; uma posição ruinosa para os portugueses, para as empresas e para os futuros governos; quando é que baixa o preço da electricidade? Sobre Manoel de Oliveira também já se disse alguma coisa e ainda podia dizer-se muito mais. Mas, quando se juntam EDP e Manoel de Oliveira, o que dizer? Sobre Manoel de Oliveira pode dizer-se que Meios de Produção é um fã incondicional, ainda que não seja obrigatório gostar de todos os filmes. O que se nota em Manoel de Oliveira é que ele sabe onde colocar a câmara e o que filmar, com um sentido estético apuradíssimo, sem que isso seja um dogma. E é sempre um prazer apreciar esse sentido a cada novo filme, ainda que não se goste dele. E neste filme da EDP, o último do autor (?), um spot publicitário (?), isso também é notado. Há que dizer que a preferência do Meios de Produção vai para os filmes antigos de Manoel de Oliveira, onde ele era mais experimentalista, mais arrojado, sem medo e com mais energia para inovar. O filme realizado para a EDP socorre-se das imagens de um filme que realizara em 1932, sobre a barragem do Ermal, onde o seu pai trabalhara. E lá estão as imagens com mais de 80 anos a provar que o autor sabia muito bem o que fazia, ainda que parecesse apenas um curioso jovem. Já sobre a temática dos irmãos, mais lírica, mais pessoal, vale pela performance e pelo cuidado coreográfico e musical que é sempre surpreendente para um homem com mais de um século de vida. Finalmente a EDP! Pois a EDP, empresa monopolista que o actual Governo vendeu a uma empresa pública chinesa, por uma verba que já se esfumou, condenando os portugueses a contribuir para os lucros astronómicos de accionistas desconhecidos que se apresentam em nome do povo da maior economia do mundo, não fez mais do que estava ao seu alcance, que foi atirar umas migalhas para a construção de uma imagem de prestígio institucional, que até lhe dará impacto internacional. É barato e garante uma imagem duradoura e até mecenática. Talvez não saibam que a privatização da empresa monopolista EDP (qual mercado aberto?, sim qual mercado aberto?) concedeu aos novos donos total jurisdição sobre a quase totalidade das barragens portuguesas e, por consequência, dos rios portugueses. Será Manoel de Oliveira um vendido? Não sei. Apreciem o filme que ele fez para a EDP, enquanto isso é possível, e avaliem pela vossa cabeça.


terça-feira, 24 de março de 2015

Herberto Helder 1930-2015

Ontem dei conta que agora há um novo acordo ortográfico que não deixa espaço e compreensão para as palavras em português de portugal. disseram que o acordo ortográfico vai aproximar o português de portugal do português do brasil. mas depois disseram que isso não era possível porque o novo acordo ortográfico inventava palavras para o português de portugal que não havia nem eram usadas no português do brasil. Ontem dei por mim a pensar sobre o que diria o poeta, quando lhe roubam as palavras.

em homenagem a Herberto Helder
um poema seu, lembrando-nos...


(Dincas, Sudão)



No tempo em que Deus criou as coisas,

criou o sol,

e o sol nasce, e morre, e volta a nascer;

criou a lua,

e a lua nasce, e morre, e volta a nascer;

criou as estrelas,

e as estrelas nascem, e morrem, e voltam a nascer;

criou o homem,

e o homem nasce, e morre, e não volta a nascer.



(in As Magias poemas mudados para português, in Poesia Toda, Herberto Hélder, Assírio e Alvim, 1990)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Georges Wolinski 1934-2015

Wolinski, no Porto Cartoon 2011, presidente do júri do festival internacional
Wolinski era irreverente, escatológico, satírico. Era um cartoonista. Tinha 80 anos e era cartoonista. Representava a liberdade de expressão que caracteriza as sociedades avançadas, as sociedades democráticas. As sociedades que permitem que se viva em liberdade, que se viva a liberdade individual, a liberdade de pensar, dizer, escrever e desenhar o que se quiser. Wolinski vivia em liberdade, liberdade pela qual lutou desde o Maio de 1968. Wolinski vivia num país democrático e livre, um país onde até os fanáticos se escondem à sombra da liberdade.





















Celebremos a liberdade. Celebremos a liberdade de expressão. Envergonhemos os fanáticos. Demos educação e liberdade aos seus filhos. Lutemos contras as diferenças, as diferenças económicas, as diferenças intelectuais, as diferenças culturais. Lutemos contra a indiferença. Façamos cartoons, cartoons satíricos, cartoons eróticos, cartoons escatológicos e mostremo-los aos fanáticos. Satirizemos os fanáticos!


Viva a liberdade!


Em memória também de Cabu (1938-2015), Charb (1967-2015) e Tignous (1957-2015) e todos os que foram assassinados hoje em Paris, no ataque ao Charlie Hebdo.