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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Meios de Produção título_4 2026

 

https://dinamiacet.iscte-iul.pt/post/up-coming-screenings-of-mulheres-terra-e-revolucao
 

mais informação em: https://ciencia.iscte-iul.pt/projects/gendered-power-relations-in-agriculture-how-rural-women-are-facing-gender-inequality-and-struggling/2121

sexta-feira, 17 de maio de 2024

50 anos/50 livros – 25 de Abril 1974/2024 - Alexandre O'Neill - Poesia (xv)

 Alexandre O'Neill - Poesia


Alexandre O'Neill (1924-1986) foi um poeta português surrealista e concretista, com edição desde 1948. Está na fundação do Grupo Surrealista de Lisboa, nesse mesmo ano. De origem "burguesa", O'Neill trabalhou como escriturário na administração corporativa do Estado, mas tornou-se publicista em 1959. Escreveu habitualmente em jornais e revistas de Lisboa até à década de 1980. Individualista e boémio, não pertenceu a partidos ou movimentos políticos, embora fosse "oposicionista". Foi várias vezes incomodado pela PIDE, que o impediu de sair do país, na década de 1950.



O'NEILL, Alexandre – Tomai lá do O'Neill! Uma antologia. Lisboa: Círculo de Leitores, dezembro de 1986. Seleção de poemas e prefácio de Antonio Tabucchi. Fotografia intexto e da sobrecapa de Alexandre Delgado O'Neill. Sobrecapa e arranjo gráfico de Luiz Duran. 


A edição de Tomai lá do O'Neill! foi um acontecimento literário nacional e um sucesso de vendas da editora Círculo de Leitores. A editora, apenas aberta aos sócios, decidira publicar uma antologia de escritos de Alexandre O'Neill, prontamente aceite pelo poeta que, no entanto, deixou a escolha dos poemas entregue ao amigo escritor e seu tradutor, Antonio Tabucchi (1943-2012). A obra contém poemas de O'Neill entre 1951 e 1986, apresentados de forma cronológica, dos mais recentes para os mais antigos. É uma edição luxuosa, numerada, de capa dura, com sobrecapa, papel couchê e fotografias do seu filho Alexandre Delgado O'Neill. O sucesso editorial surgiu como uma homenagem ao poeta que tinha falecido pouco antes da edição do livro. 

 

LEGO

 
Está tudo conformado
ao triste proprietário.
Mecânicas ovelhas,
na erva de plástico,
têm pastor de pilhas
e cão pré-fabricado.
Flores marginam esse
às peças-soltas prado.
Eléctricas abelhas,
obreiras sem contrato,
daquele herbário extraem
um mel supermercado.
A malhada, no estábulo,
quase manga de alpaca
(é A VACA, sabias?),
dá leite engarrafado.
No céu (para colorir)
a nuvem, pontual,
aguarda a vez de ser
chovida no nabal,
enquanto o Sol dardeja
na eira proverbial.
Já tudo afeiçoado
ao bom do proprietário
(ervas, bichos, moral),
ele conta com os seus
e espera sempre em Deus.

(«- Deste corda ao pardal?»).
 

10-iv-74


(p. 67)

segunda-feira, 28 de março de 2022

domingo, 2 de janeiro de 2022

Obituário 2021

Voltamos a mais uma série de obituários referente a figuras que consideramos importantes falecidas em 2021. Outros houve que foram lembrados oportunamente e estes são agora homenageados porque foram sendo atirados para um baú e recuperados através do calendário. Relembro o que já disseramos noutras ocasiões: são figuras importantes para nós, agora que vamos ficando mais velhos e mais próximos da morte. Queremos apenas relembrá-los porque há-de chegar um tempo em que já não teremos tempo. Em algum momento estas figuras foram inspiradoras ou "odiadas". Em qualquer dos casos foram pessoas que nos puseram a pensar ou a sonhar. E recordamo-las aqui e agora.

 

Isabel da Nóbrega (1925-2021)

Isabel da Nóbrega via JN on line (não assinada)
 

Michail "Mikis" Theodorakis (1925-2021)

Mikis Theodorakis por 902.gr via peoplesdispatch.org

Aprecio a multifacetada música de Mikis Theodorakis mas, se observarmos um pouco do tempo que viveu e como o viveu, temos que apreciar a personalidade. Comecei por conhecê-lo através da banda sonora de Zorba, O Grego/Zorba, The Greek (1964), de Michael Cacoyannis, mas rendi-me definitivamente com a banda sonora de Z (1969), de Costa-Gravas, com Yves Montand. O filme e a música são absolutamente excecionais e a música surge intrincada no ambiente e na personagem. Mas sigam os filmes e percebem logo: Ill met by moonlight (1957), de Michael Powell e Emeric Pressburguer; Honeymoon (1959), de Michael Powell; Phaedra (1962), de Jules Dassin; Serpico (1973), de Sidney Lumet, entre vários outros.  Na verdade, Mikis Theodorakis é um compositor excecional e a sua música deve ser ouvida, tocada e celebrada.

 

Jean-Paul Belmondo (1933-2021)

Imagem de Belmondo em À Bout de Soufle (1960), de Jean-Luc Godard via bamfstyle.com

Ouvindo o seu nome, lembro-me logo de À bout de souffle/O Acossado (1960), de Jean-Luc Godard. Fez mais algum filme? Fez, e bons! Continuou a trabalhar com Godard, fez os filmes de Jean-Pierre Melville, trabalhou também com Jean Becker, Louis Malle, François Truffaut, Henri Verneuil, Claude Chabrol, Alain Resnais, e ainda filmou com Agnés Varda, Claude Lelouch, Patrice Leconte, Cédric Klapisch. Não deixa de ser um produto do star system francês e europeu que procurava imitar o star system americano. E por isso mesmo contracenou com Romy Schneider, Jean Seberg, Sophia Loren, Jeanne Moreau, Claudia Cardinale, Emmanuelle Riva, Anna Karina, Ginna Lollobrigida, Françoise Dorlèac, Catherine Spaak, Catherine Deneuve, Geraldine Chaplin, Stefania Sandrelli, Geneviève Bujold, Marlène Jobert, Dyan Cannon, Annie Giradot, Jacqueline Bisset, Mia Farrow, Sophie Marceau e também com Henri Vidal, Lino Ventura, Jean Gabin, Jean Claude Brialy, David Niven, Eli Wallach, Robert Morley, Alain Delon, Omar Sharif, Charles Boyer e Romain Duris. Não são todos bons filmes, é verdade, mas há alguns que o são.

 

Jorge Sampaio (1939-2021)

Jorge Sampaio por Paula Rego via Museu da Presidência

Jorge Sampaio era uma pessoa fácil de gostar. Nunca tive especial simpatia por ele, mas também nunca antipatizei com ele. Entrevistei-o uma vez, como candidato às eleições presidenciais de 1996, e segui os últimos dias da campanha eleitoral integrado na sua comitiva (embedded), percorrendo dezenas de localidades entre, mais ou menos, Coimbra e Braga, passando pelo grande bastião do Partido Socialista, a região da Beira Alta, com o epicentro no Fundão. Chegamos a estar em Belmonte, onde não morava (e não mora!) quase ninguém, mas onde fez uma conferência de imprensa para os jornalistas locais (Jornal do Fundão oblige!) e da sua comitiva, e gravou um tempo de antena ou um vídeo de propaganda política com o realizador Joaquim Leitão (Duma vez por todas, 1986). Como jornalista foi uma experiência excelente, também porque permitiu conhecer pessoalmente Jorge Sampaio, enquanto ser humano, enquanto personalidade sociopolítica, enquanto ser frágil perante determinadas situações, ou forte, perante outras; permitiu ver a máquina de campanha eleitoral por dentro, mas reconheço hoje que é contraproducente ser jornalista engajado e depois tentar manter a independência ou mesmo a aparência de independência. Não tenho muito a dizer, mas reconheço a carreira política, incluindo a sua capacidade para gerar consensos, como aconteceu na Câmara Municipal de Lisboa, e na sua atuação como Presidente da República, mas também enquanto lutador pela liberdade, no tempo da ditadura. E é justo prestar-lhe homenagem! Lembro-me bem das discussões dos jornalistas da comitiva que procuravam arrancar-lhe alguma declaração mais ou menos acintosa contra a direita (concorria contra Cavaco Silva!), e o apelidavam de Rainha de Inglaterra, pois era esse o papel que parecia querer assumir na Presidência, ou seja, o de ser o garante das instituições, vigiando, observando, falando nos bastidores, mantendo sempre uma postura institucional, não afrontando o governo, como fez o seu antecessor ainda no poder, Mário Soares. Viu-se bem que os jornalistas queriam faca e alguidar e foi o que tiveram depois, com Jorge Sampaio na Presidência! Qual Rainha da Inglaterra, qual carapuça! O que é interessante é que acredito mesmo que ele queria ter tido um papel mais tranquilo na Presidência, mas a realidade ultrapassou-o.

 

José-Augusto França (1922-2021)

França, em 1949, por Fernando Lemos via Fundação Gulbenkian

José-Augusto França foi um interessante historiador de arte, uma disciplina nova em Portugal, nos anos de 1950 e 60. Li e guardo muitos dos seus livros. São importantes, mas não são propriamente obras referenciais, apenas por causa da forma como se apresentam. Quer dizer, a história atual, a historiografia e as ciências sociais, implicam um conjunto de referências, citações, corelações, um quadro epistemológico multidisciplinar que está ausente na sua obra historiográfica, apenas porque o autor se baseou no seu conhecimento empírico e poucas vezes referencia outras fontes bibliográficas. Mas isto explica-se por duas razões: a primeira, é uma questão de estilo, uma vez que José-Augusto França foi dos primeiros historiadores de arte em Portugal, o que significa que não foi encontrar muitas referências bibliográficas nos seus antecessoras, simplesmente porque não as havia ou não eram credíveis; a segunda, propositadamente, o autor não tem interesse em citações de autores que o antecedem porque esses fazem parte da “história inventada” que a ditadura salazarista proporcionou, quando o regime procurou reescrever a história, mitificando o suposto passado glorioso dos portugueses, procurando justificar as intervenções no património, a colonização ou “as obras” do regime, aquela panóplia de estilos facilmente identificáveis, que vai desde o vernáculo na arquitectura ao neorrealismo na pintura e na literatura. De resto, foi um dos principais divulgadores da obra de Amadeo de Souza Cardoso, em Portugal e em França, onde vivia, e, se não fosse por isso, poucos saberiam hoje quem era esse marco da pintura modernista. É responsável por homenagens menos óbvias a autores que se não fosse por elas tinhamos demorado muito tempo a percebermos a sua importância, como Amadeo, Almada e mesmo Lino. Os historiadores de arte que lhe sucederam obviamente foram beber muito ao seu trabalho, que foi longo, variado e, ainda assim, marcante. Tenho muitos livros de José-Augusto França e até uma segunda edição do seu romance Natureza Morta (1989), originalmente publicado em 1949, que precedeu a obra historiográfica. Não sabia que tinha pertencido ao grupo Surrealista de Lisboa (1947-1949) e só por isso merecia uma homenagem.

 

Lee "Scratch" Perry (1936-2021)

Lee Perry, getty  images, via CM jornal

Lee “Scratch” Perry foi um excêntrico e inovador produtor de Reggae, sobretudo na década de 1960, fundador da banda The Upsetters, com quem gravou inúmeros álbuns, embora fosse mais correto dizer “músicas”. Nesta época, na Jamaica e na Inglaterra, e em todo o lado, as músicas eram vendidas em singles e os álbuns funcionavam como repositórios de singles ou de “êxitos”. Eram poucos os artistas que os apresentavam como obras completas, conceptuais. Ficou conhecido por ser o fundador do Dub, estilo musical associado ao Reggae e que podemos descrever como uma associação de efeitos sonoros à música original, normalmente adicionados em pós-produção, mas nem sempre, veja-se, o conceito de sound-system, e que hoje são comuns em todos os géneros musicais. Teve um importante papel nas gravações e regravações dos êxitos iniciais de Bob Marley & The Wailers, já na década de 1970. Vi-o uma vez ao vivo no Hard Club, ainda na fase inicial, na outra margem, em Vila Nova de Gaia. O espetáculo foi banal, muito inferior à sua importância na história da música moderna.

 

Otelo Saraiva de Carvalho (1936-2021)

Otelo Saraiva de Carvalho por Rui Ochoa, via Expresso
 

Otelo foi o obreiro do golpe militar de 25 de abril de 1974, que redundou na Revolução de Abril. No período revolucionário, entre 1974 e 1976, liderou o Copcon – Comando Operacional do Continente, um grupo militar do Movimento das Forças Armadas que funcionava como garante da ordem pública, enquanto os recém-formados partidos políticos (com a notável exceção do PCP) preparavam a Constituição Democrática e as eleições livres. A direita portuguesa e o setor reacionário e saudosista atribuem-lhe as maiores atrocidades nesse período, incluindo uma tentativa gorada de golpe de Estado em novembro de 1975. As acusações são falsas e exageradas. Mais tarde foi candidato, derrotado, mas com uma considerável percentagem de votos, às eleições presidenciais. Na década de 1980 liderou o grupo terrorista de ação popular FP25, responsável por vários assassinatos. Foi condenado, absolvido de crimes de sangue, ou seja, não foi responsável, nem moral, nem operacional, pelas mortes ocorridas nos atentados e nos assassinatos das FP25, sendo, mais tarde, amnistiado pelo Presidente da República, Mário Soares. Foi um homem do seu tempo: militar, lutou nas colónias contra os “terroristas”, propondo depois o abandono total e incondicional dos territórios coloniais; foi revolucionário, líder popular e terrorista. Gostava de ser ator e chegou a ter um papel numa série televisiva, sofrível, cumprindo um sonho antigo. Era casado, mas partilhava o lar com uma amante, numa relação bígama e consentida durante longos anos (não quero melindrar ninguém, pois cito de cor e posso estar errado). Assinou alguns livros sobre o golpe de 25 de abril de 1974, que derrubou a infame ditadura que vigorava em Portugal desde 1926, bem escritos, de grande qualidade e utilidade. 

Um outro Otelo mais simpático, foto não assinada, via Antena Minho

O governo socialista de António Costa e o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa negaram-lhe o luto nacional, negaram a justa homenagem de um dos obreiros da nossa, agora já não tão jovem, democracia. Talvez porque tivessem medo que a direita emergente e cada vez mais radical visse o ato como uma forma de radicalizar o espaço político português. Como se isso agora fosse possível travar. Foi sempre um homem que parecia ter duas caras, conforme os olhos que a vêm. E por isso é retratado muitas vezes de forma ambigua, como nestas imagens que aqui mostramos


Jean-François Stévenin (1944-2021)

Stévenin por Dauphine Libere via actu.fr
 

Julião Sarmento (1948-2021)

Sarmento, Museu do Chiado, Trabalhos dos Anos 70, 2002, por Miguel Silva via Público

Pedro Tamen (1934-2021)

Pedro Tamen por António Pedro Ferreira via Expresso


Aprecio a poesia de Pedro Tamen. Nunca conheci a figura, a personagem, mas retenho a sua discrição, elegância e solidez. Há uma história em que ele é personagem incidental de que tive conhecimento, talvez nas páginas dos suplementos de cultura do Expresso (quando faziam suplementos de cultura decentes) e que depois pude perguntar ao principal visado. Servem estas linhas também para prestar homenagem a outro poeta, Joaquim Castro Caldas (1956-2008), que aqui lembrámos oportunamente. A história, conto-a eu assim: era frequentador do Pinguim Café onde se realizavam (e realizam) sessões de poesia, às vezes dinamizadas pelo poeta e diseur Joaquim Castro Caldas. Ele era verdadeiramente um diseur ao nível dessa referência que é o Mário Viegas (1948-1996). Mas tinha um problema, era autodestrutivo e provavelmente alcoólico, o que podia tornar as sessões de poesia num espaço infernal, em que Castro Caldas provocava e insultava tudo e todos e, por vezes, nem sequer conseguia acabar um poema. Chegou a haver sessões de pancadaria… enfim, empurrões, apertos e cerveja pelo ar. Mas eu lembrava-me do Joaquim Castro Caldas porque tinha lido que ele pedira, penso que na década de 1980, um subsídio à Fundação Calouste Gulbenkian para realizar o seu suicídio em público, numa praça de Lisboa, pretensão que lhe havia sido negada. Nesse ano em que ele morreu, encontrava-o muitas vezes a almoçar num restaurantezeco na Rua de Fernandes Tomás, perto da redação de O Primeiro de Janeiro, onde eu trabalhava. Então resolvi perguntar-lhe que história era aquela de ele pedir um subsídio à Gulbenkian para se suicidar. Riu-se bastante, com espanto, e recordou que fora apenas a atitude de um poeta, o ato grandioso do poeta maldito que seria recordado (e certamente lido) no ato da sua morte. Pretendia fazer o suicídio subsidiado ao jeito do que clamara Mário de Sá-Carneiro, a fanfarra com a banda a tocar, o burro, a festa. Na verdade, era uma provocação artística ao estado de coisas que se viviam na cultura, na literatura e na poesia, naqueles tempos loucos em que entravam rios de dinheiro da Europa, mas onde a cultura não valia mais que um “Concerto de Violino de Chopin” (Santana Lopes dixit). Castro Caldas disse-me que Pedro Tamen, que na altura era administrador da Gulbenkian, lhe respondeu por carta muito educadamente dizendo que a Fundação não promovia atos artísticos que envolvessem o suicídio. Acabámos por falar sobre Pedro Tamen, que ele tinha como um autor muito respeitável, com uma obra de qualidade, embora longe dos seus temas de eleição. Já na altura conhecia a poesia de Pedro Tamen, cuja leitura aprofundei entretanto. Mas nunca tive a sorte de ler Joaquim Castro Caldas, simplesmente nunca encontrei um livro seu e acabo por recordá-lo apenas como um poeta efémero. Um poeta maldito. Ao Pedro Tamen recordo-o como um poeta orgânico, autor de uma poesia organicista. Isto não quer dizer muita coisa, mas a resposta é sempre a mesma: leiam-nos. É mais um ciclo que se fecha.

 

Anita Lane (1960-2021)

Anita Lane via the red hand files

É bonito o obituário de Nick Cave.


Christopher Plummer (1929-2021)

Plummer em The Sound of Music (1964), via wikipedia
 

Jean-Claude Carrièrre (1931-2021)


Carrière, por Studio Harcout Paris, 2006

Parece ou é mesmo incrível que a morte de Jean-Claude Carrière tenha sido praticamente ignorada pela imprensa e pelas redes sociais. Façamos um exercício breve e muito simples. O que têm em comum estes filmes? Le journal d’une femme de chambre (1964), de Luis Buñel; Belle de Jour (1967), de Luis Buñel; La voie lacté (1969), de Luis Buñel; La piscine (1969), de Jacques Deray; Taking off (1970), de Milos Forman; Le charme discret de la bourgoisie (1972), de Luis Buñel; Le fantôme de la liberté (1974), de Luis Buñel; Cette obscur objet du désir (1977), de Luis Buñel; Le Tambour/Die Blechtrommel (1979), de Volker Schlöndorff; Sauve qui peut (la vie) (1980), de Jean-Luc Godard; Passion (1982), de Jean-Luc Godard; Danton (1983), de Andrzej Wajda; Un amour de Swann (1984), de Volker Schlöndorff; L'Insoutenable Légèreté de l'être/The Unbearable Lightness of Being (1988), de Philip Kaufman; Les possédés (1988), de Adrezej Wajda; Valmont (1989), de Milos Forman; Cyrano de Berjerac (1989), de Jean-Paul Rappeneau; At play in the fields of the Lord (1991), de Héctor Babenco; Le Hussard sur le toi (1995) de Jean-Paul Rappeneau; Birth (2004), de Jonathan Glazer; Les fantomes de Goya (2006), de Milos Forman; Ulzhan (2006), de Volker Schlöndorff; Das weiße Band/O Laço Branco (2008), de Michael Haneke; El artista y la modelo (2012), de Fernando Trueba; At eternity’s gate (2018), de Julian Schnabel. 

 

Chick Corea (1941-2021)

Corea, foto não referenciada via mixdownmag.com.au, mas da getty images
 

Incomoda-me que Chick Corea tenha sido um fervoroso e importante adepto da Igreja da Cientologia e seguidor de L. Ron Hubbard. E, porém, o que é que isso importa? A homenagem é justa.

 

Armanda Passos (1944-2021)

Sem título 146)1, tinta-da-china e guachexpapel, 35x50, via saomamede.com

 

João Cutileiro (1937-2021) 

Estátua de S. João na Praça da Ribeira, no Porto, por Filipa Brito, via cmporto

Olga Prats (1938-2021)

Olga Prats, foto sem data e não assinada, via CM Jornal

 

Guilherme Inês (1951-2021)

Simplesmente não há imagens de Guilherme Inês decentes online, via JN

 

Pat Martino (1944-2021)

Martino por Michel DelSol, Getty Images, via npr.org

 

José Eduardo Pinto da Costa (1934-2021)

Pinto da Costa, movenoticias, via Record
 

Houve um período, entre o final da década de 1980 e o início da década de 1990, em que só havia dois cursos superiores de jornalismo em Portugal. Um em Lisboa, numa instituição pública, que não sei identificar agora, e outro no Porto, numa instituição privada, a Escola Superior de Jornalismo, depois integrada na Universidade do Porto. A maior parte dos professores vinham do Estado Novo, ou seja, formaram-se jornalistas durante a ditadura, sob o manto da censura, nos grandes órgãos de comunicação da cidade do Porto, O Primeiro de Janeiro, O Comércio do Porto e Jornal de Notícias. Portanto, o ensino do jornalismo nas primeiras décadas da democracia refletia essa escola. Por exemplo, entendia-se que os futuros jornalistas deviam ir diariamente às conferências de imprensa da PSP e solicitar informações ao Instituto de Medicina Legal, sempre que havia um crime violento. Entendia-se que os aprendizes de jornalismo deviam assistir a uma autópsia no Instituto de Medicina Legal. Foi aí que conheci o excêntrico José Eduardo Pinto da Costa. Devo dizer que não foi tanto a autópsia que me impressionou, muito(a)s colegas abandonaram a sala e outro(a)s até chegaram a desmaiar. Impressionou-me mais, até hoje, o pequeno museu de horrores que Pinto da Costa fazia questão de mostrar no fim da autópsia. Essa sim, era uma verdadeira lojinha de horrores, pedaços de corpos guardados em frascos ou quadros, cada qual mais horrível que o outro. Com aquela figura mais ou menos imperscrutável, suspeito que tinha um certo prazer sádico em apresentar o horror às jovens plateias que todos os anos lhe apareciam no Instituto de Medicina Legal. Entretanto, apareceu o computador, depois a internet, e a visita à morgue deixou de fazer parte do currículo dos aspirantes a jornalista. A PSP deixou de fazer conferências de imprensa, sobre as quais se queixava de não aparecer ninguém, e agora comunica pelo Facebook e pelo Twitter. Entretanto, Pinto da Costa reformou-se, abandonou a pequena lojinha de horrores, que deve estar guardada numa qualquer cave esquecida da Universidade do Porto, e tornou-se estrela televisiva nos programas da manhã, entretendo audiências seniores.  Não fosse o seu ar excêntrico e arriscava-se a ficar na história como o irmão do outro.

 

Rogério Samora (1958-2021)

Rogério Samora por Júlio Lobo Pimentel, Global Imagens
 

Robbie Shakespeare (1953-2021)

Robbie Shakespeare via pan-african-music.com
 

Há homens que se reconhecem por serem dois: Sly & Robbie.

 

Dean Stockwell (1936-2021)

Stockwell em 1965, via wikipedia


Frederik de Klerk (1936-2021)

De Klerk em 1990, via wikipedia
 

Pedro Gonçalves (1970-2021)

Pedro Gonçalves, sem data e assinatura, via rr.sapo.pt

 

Há mesmo homens que se reconhecem por serem dois? Não, um não é a soma de dois, são únicos: Dead Combo.

 

João Paulo Cotrim (1965-2021)

Cotrim, sem data e assinatura, via twitter comunidade cultura e arte
 

domingo, 19 de dezembro de 2021

terça-feira, 13 de julho de 2021

O twitter tem medo de quê? A propósito de uma Imagem censurada no twitter

Afinal, o twitter censurou o quê? Um abraço amoroso entre um leopardo e um bambi ou outra coisa qualquer? Por exemplo, uma alusão à desigualdade do poder entre o empresário e o trabalhador? A fotografia não tem sexo, não tem sangue, revela um ato... que pode significar muitas coisas, mas pelo que mostra não viola nenhuma regra do twitter. Revela apenas ironia, talvez sarcasmo e algum cinismo. Mas também revela uma realidade política-ideológica que começou por ser combatida massivamente no país que originou o twitter. Políticamente correto? Autoritarismo e reacionarismo? O twitter tem medo de quê? A fotografia chegou-me pelo meu camarada FM (@FilintoM) e de tão gasta, tão usada e provavelmente tão velha, já não tinha já qualidade nenhuma e foi certamente tirada de um qualquer programa sobre a vida selvagem em África, que todos temos vindo a destruir. Já deve ter sido usada e abusada milhares de vezes pela internet com outras tantas legendas diferentes. E depois chega ao meu twitter, que é muito pouco visto e pobrezinho... e aparece um avisozinho a dizer "Nós não podemos te mostrar tudo! Ocultamos automaticamente fotos com possível conteúdo sensível ou impróprio". Resta saber o que é sensível ou impróprio para o twitter e para os censores do twitter: se uma amizade improvável (e falsa, claro!) ou uma legenda certeira que nem um tiro no alvo. 

 

Meios de Produção luta por uma internet livre!

 

Este exemplar foi retirado da internet através de uma busca no google com a foto do twitter
 

After all, what did twitter censor? A loving embrace between a leopard and a bambi or something else? For example, an allusion to the inequality of power between the entrepreneur and the worker? The photograph has no sex, no blood, it reveals an act... which can mean many things, but from what it shows, it doesn't violate any twitter rules. It reveals only irony, sarcasm, some cynicism. But it also reveals a political-ideological reality that began by being massively fought in the country that originated twitter. Politically correct? Authoritarianism and reactionaryism? What is twitter afraid of? The photo came to me from my buddy FM (@FilintoM) and it was so worn, so used and probably so old, it was no longer of any quality and was certainly taken from some program about wildlife in Africa we all have been destroying. It must have been used and reused thousands of times over the internet with so many different subtitles. And then it comes to my twitter, which is very little seen and... a little warning appears saying "We can't show you everything! We automatically hide photos with possible sensitive or inappropriate content". It remains to be seen what is sensitive or inappropriate for twitter and for twitter censors: whether an unlikely friendship or a caption that is as accurate as a shot at the target. 


Meios de Produção fights for a free internet!

(the caption: “You don't need a union because everyone here is a family”)

 

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

A República portuguesa faz 110 anos! Viva a República!

 
Edvard Munch, 1893, O grito, National Gallery of Norway, via wikipedia
Uma vez convivi com um rapaz esquizofrénico, recém diagnosticado. Disse-me que gostava de viver em monarquia, mostrando um saudosismo do tempo dos reis, das rainhas e dos príncipes numa quase alucinação só comparável aos contos de fadas. Disse-lhe logo que isso não fazia qualquer sentido, que ele tinha uma ideia errada da monarquia, e que se vivêssemos em monarquia, tudo faria para que ela acabasse, seria até candidato a matar o rei. Olhou para mim com um medo terrível nos olhos, algo que nunca tinha presenciado. Mudei de assunto, depois despedimo-nos. Nunca mais o vi. Talvez o tenha visto, talvez dos tenhamos cumprimentado, mas nunca mais conversámos.

 
Chegada a Lisboa de Maria Ana de Áustria, em 1708, gravura alemã, via wikipedia
 Seria incapaz de matar alguém. Mas não suportaria que vivêssemos em monarquia. Não há nada de especial nisso. Nunca vivi em monarquia, mas conheço um pouco da história de Portugal para não desejar viver em monarquia. Podia-se dizer que a monarquia se vai modernizando, que os seus agentes também, que hoje até seria uma boa solução para o país, mais económica. Mas isso não me serve. Sejamos todos egoístas: se fosse eu o rei ou o príncipe, não me importaria que vivêssemos em monarquia.

 
Busto da República, barro, não assinada, coleção particular
 A República em Portugal e no resto do mundo tem uma coisa que a monarquia nunca terá: qualquer um, dentro das regras, pode ser o presidente. Eu posso ser o presidente, o meu filho(a), o meu neto(a) podem ser presidentes da República. Mas nunca seriamos reis ou rainhas. Esta realidade, por mais distante que nos pareça, está sempre muito mais próxima de nós do que alguma vez a minha família vier a ter linhagem real. Continuo a considerar actuais os princípios da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Estes princípios nunca serão alcançados em monarquia.

José Relvas proclama a República, em 1910, perante um país indiferente e analfabeto. Joshua Benoliel, via wikipedia
A nossa República nunca foi perfeita, nem nunca será. Começou por ser um movimento urbano das elites liberais, num país onde só havia duas grandes cidades, Lisboa e Porto, e onde a maioria da população, que era analfabeta, vivia no campo, trabalhando na agricultura, cultivando pequenas propriedades, no Norte, em regime de autossubsistência, ou trabalhando para nobres e burgueses latifundiários, no Sul. A implantação da República foi um movimento inorgânico e em contra-ciclo com os países europeus. Só a Suíça e a França (e talvez mais algum Estado de que me não consigo lembrar) eram democracias parlamentares. 

O ditador a discursar na Assembleia Nacional, sobre a adesão à NATO, em 1940. via DN
A República, por ser um movimento de elites, nunca alcançou a simpatia desse povo analfabeto, até porque as restrições ao universo dos votantes deixavam de fora uma larga maioria de homens (que eram os únicos que podiam votar). Apesar da tentativa de alargamento do ensino e do combate ao analfabetismo. E depois veio a ditadura! Um regime autocrático, iliberal, antidemocrata e anticomunista que transfigurou as instituições republicanas: o Presidente da República, apesar da constituição lhe outorgar o poder deliberativo, era um fantoche indicado pelo Presidente do Conselho (equivalente ao primeiro-ministro); o Parlamento era uma câmara das elites da ditadura, constituída por um partido único, a Acção Nacional; e a Câmara Corporativa, equivalente ao senado, era um órgão consultivo onde tinham assento os representantes das corporações económicas. Na ditadura, o Povo não estava representado, o seu papel resumia-se à obediência cega aos ditames das elites machistas reacionárias, um papel de subalternidade que alimentava o contingente emigratório, desde a década de 1950, e a máquina de guerra, desde a década seguinte.

Medalha comemorativa das 1.ª eleições presidenciais livres; por Baltazar, numerada, coleção particular
A Revolução Democrática de Abril de 1974 trouxe o voto universal a partir dos 18 anos (as mulheres nunca votaram, com algumas exceções autorizadas, durante a ditadura) e a representação popular através dos partidos políticos. Desde então os portugueses têm, com maior ou menor empenho individual, aperfeiçoado o sistema político. Mas com a entrada na União Europeia, no final da década de 1980, e com a adesão à moeda única, na década seguinte, perderam soberania em questões tão importantes como o orçamento de Estado, por exemplo. É uma nova etapa nesta evolução republicana, e que nos oferece maiores desafios ou rejeições… Mas continua a ser melhor que qualquer monarquia ou governo despótico. A República portuguesa faz 110 anos! Viva a República!

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Obituário 2020 (parte I)

Há uma hipótese absurda (ou nem tanto), por andarmos a homenagear os mortos que de alguma forma contribuíram para a formação do Meios de Produção: a de chegar a um ponto em que eles morrem todos e depois já não haver ninguém para homenagear… Esta hipótese só não é assim tão absurda porque quem é vivo está sempre a aprender, a conhecer coisas novas e, por isso, haverá sempre modelos a destacar no futuro. Na minha terra dizia-se que só não aprende quem é “burro velho” (apesar do animal não ter culpa nenhuma).

 
Pois então voltamos a mais um conjunto de homenagens aos falecidos neste terrível ano de 2020, o ano da pandemia, o ano do vírus SARS-CoV-2, o ano do aumento da mortalidade mundial. É um exercício mais ou menos fútil, que gostamos de fazer porque, por causa disto ou daquilo, gostamos da vida dos mortos. Memória, homenagem, lembrança, influência, exemplo, esperança… Tudo isso e muito mais. Lembra-nos que somos mortais e que a vida é um acaso. Falar da morte é falar da vida.

 

John Baldessari 1933-2020

 

Conheci a obra de John Baldessari no final da década de 1990, no Porto, não me lembro bem onde, talvez na Galeria Pedro Oliveira... Ou em Serralves. Seja como for, vale bem a pena conhecer e viver as suas obras. Esta curta metragem, A brief history of John Baldessari, narrada por Tom Waits, é uma excelente introdução à personalidade e trabalho de Baldessari. Courtesy of John Baldessari Estate.

 

George Steiner 1929-2020

via Jornal Tornado, não assinada

 Kirk Douglas 1916-2020

foto de promoção (film still), cerca de 1955

McCoy Tyner 1938-2020

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=503071

Max von Sydow 1929-2020

Em O sétimo Selo (1957), de Ingmar Bergman

Pedro Barroso 1950-2020

via facebook Pedro Barroso

Manu Dibango 1933-2020

Agence France Press/Getty Images via NYT

Mécia de Sena 1920-2020

Mécia por Fernando Lemos, Fundação Calouste Gulbenkian

Mécia representa o amor incondicional. Ou a prisão. A sua dedicação ao marido, Jorge de Sena, é incansável, por vezes a roçar o insuportável. Mas admirável. Não foi certamente por causa de Mécia que a obra de Sena não foi esquecida, mas o seu contributo é assinalável, embora possa vir a ser um obstáculo para biógrafos e historiadores da literatura, porque a organização (e publicação até à data) da obra de Jorge de Sena é um trabalho exclusivo de Mécia. A sua morte não passou despercebida em Portugal, nem no meio literário, mas o labor na proteção da imagem do marido foi certamente uma motivação forte para muitos se esquecerem dela.


 Krzysztof Penderecky 1933-2020

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=4350632

Bill Withers 1938-2020

Gilles Petard/Redferns/Getty Images

Noronha da Costa 1942-2020

Objecto 67, via wikipedia

Lee Konitz 1927-2020

Konitz, entre Miles Davis e Gerry Mulligan, 1949; NYT: Popsie Randolph/Michael Ochs Archives, via Getty Images

Filipe Duarte 1973-2020

via Comunidade Cultura e Arte

Tony Allen 1940-2020


Little Richard 1932-2020

Richard com os Beatles, via thebeatles.com

Michel Piccoli 1925-2020

Piccoli em La Belle Noiseuse (1991), de Jacques Rivette, com Emanuelle Béart

José Cutileiro 1934-2020

via Rádio Campanário, via Observador

Habituei-me a seguir José Cutileiro no papel de analista de política internacional, sobretudo na rádio. Uma visão muito desempoeirada e até bem longe dos seguidistas e americanistas da nossa praça. Mais tarde, acabei por habituar-me a ler os obituários que escrevia há décadas no semanário Expresso, naquele estilo de colagem de orações e complementos quase até à exaustão. Um exercício às vezes difícil, quando se procura o sujeito-predicado-complemento originais. Ainda assim muito apreciável, não só pelos biografados, como pela visão arredada da normalidade noticiosa, do mainstream. Parece que também foi diplomata, mas sobre isso não se conhece nada de assinalável (mas posso estar enganado!).


Maria Velho da Costa 1938-2020

à direita, com Maria Teresa Horta e Isabel Barreno, foto de José Horta, via Ypslon, Público

Sempre gostei de Maria Velho da Costa, de quem tenho até vários livros. E sempre gostei muito desta foto (inédita, quando publicada no Público). A batalha destas mulheres pela liberdade de expressão, pela liberdade de ser mulher, foi impressionante e mostra bem o atraso do nosso país. Quando escreveram Novas Cartas Portuguesas (1972) – tenho um exemplar original, todo a desfazer-se, comprado pelo meu pai ainda antes da apreensão – sabiam bem o que estavam a fazer e o que iria originar na sociedade portuguesa. Nesta altura, a mulher era um objeto pertencente ao homem, pai, marido ou patrão; não votava, não tinha opinião, servia para estar em casa, cuidar dos filhos e acompanhar o sucesso do marido. Esta visão perpassou todo o regime ditatorial português, política oficial desde 1933. Foi neste ambiente que estas mulheres cresceram, foi este ambiente que estas mulheres desafiaram através da escrita. E conseguiram. A obra literária de Maria Velho da Costa, em parte aprofundando a temática de Novas Cartas Portuguesas, é meritória e merece ser lida.


Christo 1935-2020

https://christojeanneclaude.net/

Jimmy Cobb 1929-2020

via drummerworld.com, não assinada

Alfredo Tropa 1939-2020

via facebook Academia Portuguesa de Cinema

Ennio Morricone 1928-2020

via Vulture.com

Luis Filipe Costa 1936-2020

via Jornal i, não assinada

Alan Parker 1944-2020

Martyn Goodacre/Getty Images, via El Pais

Não sendo um grande realizador com uma obra notável na história do Cinema, lembro-me de quase todos os filmes que vi dele, com grande prazer. Infelizmente nunca vi nenhum filme de Alan Parker numa sala de cinema.


Joaquim Veríssimo Serrão 1925-2020

via a viagem dos argonautas, não assinada

Joaquim Veríssimo Serrão é um historiador fora do seu tempo e não é uma referência na historiografia nacional. Conforme diz Luís Reis Torgal, parafraseando Gasset, cada historiador é a sua circunstância e Serrão ficou agarrado à sua. Homem do regime ditatorial, amigo de Marcelo Caetano, nunca se libertou do facto de à data da revolução de 1974 ocupar o cargo de reitor da Universidade de Lisboa, já depois das convulsões de 1969 que culminaram com espancamentos, prisões de estudantes e posterior envio para a frente de guerra, nas colónias africanas. Serrão esteve em França, na década de 1950, como leitor de português no consulado de Toulose, mas, ao contrário de muitos historiadores, intelectuais e artistas que estiveram em França, como Victor de Sá, Joel Serrão (com quem colaborou no Dicionário da História de Portugal), Victorino Magalhães Godinho, não terá contactado com os historiadores da Nova História. E isso parece refletir-se na sua obra magna, uma História de Portugal em 19 volumes, inteiramente escrita por si. Com todo o mérito e demérito, esta obra é a sua visão do mundo, que é um mundo avesso à interdisciplinariedade.

 
Fernanda Lapa 1943-2020

via semanário Expresso, não assinada

Waldemar Bastos 1954-2020

foto de promoção de Waldemar Bastos, via FMM-Sines, 2007


E. M. de Melo e Castro 1932-2020


 
Origem das imagens dos poemas visuais: https://pt.wikipedia.org/w/index.php?curid=5148216; Best net leilões e http://mnunesponte.blogspot.com
 

Gary Peacock 1935-2020

Roberto Masoti, ECM Records

Vicente Jorge Silva 1945-2020

Pedro Nunes, semanário Expresso

Diana Rigg 1938-2020

via DN, não assinada

Ruth Bader Ginsburg 1933

Ruven Afanador, via Elle Magazine

Juliette Gréco 1927-2020

JM Lubrano, via rfi.fr

É impressionante o número de pessoas neste mega-postal-obituário que conviveram de perto com Miles Davis: Gréco, McCoy Tyner, Jimmy Cobb, Lee Konitz, Gary Peacock... Foi uma geração que se perdeu... Como todas! Não falando sequer na ligação entre Gréco e Piccoli. É o nosso mundo, a nossa cultura e as nossas vidas que se degradam lentamente, perante o desfilar impiedoso do tempo. Falar da morte é falar da vida. Estamos todos bem: até sempre!