quinta-feira, 2 de abril de 2015
terça-feira, 24 de março de 2015
Herberto Helder (1930-2015)
Ontem dei conta que agora há um novo acordo ortográfico que não deixa espaço e compreensão para as palavras em português de portugal. disseram que o acordo ortográfico vai aproximar o português de portugal do português do brasil. mas depois disseram que isso não era possível porque o novo acordo ortográfico inventava palavras para o português de portugal que não havia nem eram usadas no português do brasil. Ontem dei por mim a pensar sobre o que diria o poeta, quando lhe roubam as palavras.
em homenagem a Herberto Helder
um poema seu, lembrando-nos...
(Dincas, Sudão)
No tempo em que Deus criou as coisas,
criou o sol,
e o sol nasce, e morre, e volta a nascer;
criou a lua,
e a lua nasce, e morre, e volta a nascer;
criou as estrelas,
e as estrelas nascem, e morrem, e voltam a nascer;
criou o homem,
e o homem nasce, e morre, e não volta a nascer.
(in As Magias poemas mudados para português, in Poesia
Toda, Herberto Hélder, Assírio e Alvim, 1990)
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Georges Wolinski (1934-2015)
Wolinski era irreverente, escatológico, satírico. Era um
cartoonista. Tinha 80 anos e era cartoonista. Representava a liberdade de
expressão que caracteriza as sociedades avançadas, as sociedades democráticas.
As sociedades que permitem que se viva em liberdade, que se viva a liberdade
individual, a liberdade de pensar, dizer, escrever e desenhar o que se quiser.
Wolinski vivia em liberdade, liberdade pela qual lutou desde o Maio de 1968.
Wolinski vivia num país democrático e livre, um país onde até os fanáticos se
escondem à sombra da liberdade.
Celebremos a liberdade. Celebremos a liberdade de expressão. Envergonhemos os fanáticos. Demos educação e liberdade aos seus filhos. Lutemos contras as diferenças, as diferenças económicas, as diferenças intelectuais, as diferenças culturais. Lutemos contra a indiferença. Façamos cartoons, cartoons satíricos, cartoons eróticos, cartoons escatológicos e mostremo-los aos fanáticos. Satirizemos os fanáticos!
Viva a liberdade!
Em memória também de Cabu (1938-2015), Charb (1967-2015) e
Tignous (1957-2015) e todos os que foram assassinados hoje em Paris, no
ataque ao Charlie Hebdo.
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