quinta-feira, 3 de dezembro de 2009



Quando posso leio com prazer a prosa diária do Manuel António Pina no JN (Opinião - Jornal de Notícias). E por vezes sou impelido a partilhá-la apenas porque é possível, fácil e barato. É uma atitude. E gostei especialmente destes 1100 caracteres.

A voar para Lisboa

Nunca vi (ouvi e já me chegou) nenhuma das Red Bull Air Races que, de há uns anos para cá, enxameiam regularmente os céus do Porto com aviões de corrida e os ouvidos dos portuenses com o ruído dos motores e a algazarra da publicidade. Não tenho nada contra quem gosta de coisas do género, mas ficar horas a fio de nariz para o ar a ver aviões passar não é decididamente o meu divertimento favorito. Irrita-me também a natureza provinciana de "acontecimento" que a Câmara do Porto dá à coisa. Mas irrita-me mais o provincianismo dos patrocinadores e do Instituto de Turismo de Portugal (porque aparentemente há dinheiros públicos e, portanto, opções políticas, envolvidos no assunto) que, vendo que a corrida levou este ano um milhão de pessoas às margens do Douro, acharam que seria boa ideia transferi-la para o Tejo e para… Lisboa. É em casos menores como este que o centralismo mostra a sua face mais mesquinha. Se o problema é o Porto ter algo que Lisboa não tem, um dia destes veremos a Torre dos Clérigos deslocalizada para o Terreiro do Paço. E com ela, valha-nos isso, talvez até o próprio Rui Rio.



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