quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Liberdade, Liberdade, volta! Estás a deixar saudade!

Ma que pasa com questa web qui quero libre? Mas o que é que se passa com esta net que está a transformar os espaços de liberdade em espaços privados e fechados? Em ilhas de acesso restrito, do tipo “menina não entra”?



Dir-me-ão: “a tua liberdade acaba quando começa a dos outros” e que mesmo assim, a coberto do anonimato, posso sempre dizer uns impropérios que não vem ninguém chatear. Pois! Mas a questão é diferente: a minha liberdade acaba quando as grandes empresas, as multinacionais multimarcas, as corporações e as instituições assim o entenderem! Porque são elas que fazem as regras económicas por onde nos movemos e que nos dizem por onde podemos e devemos caminhar.



Compro um disco, mas só o posso ouvir em casa! Não posso fazer uma cópia para ouvir no carro ou no ipod (entenda-se ipod como dispositivo de uso pessoal sem marca definida), porque é proibido! Nem sequer posso trocar músicas com o meu amigo, nem sequer posso emprestar o disco.



Se estiver em casa a ouvir música alto, estou a cometer um crime, não porque alguém se tenha queixado do ruído, mas porque as pessoas que passam na rua podem ouvir a música e isso é proibido!



Lamento que espaços de liberdade pessoal tenham desaparecido da blogosfera. Alguns por cansaço, por iniciativa pessoal, outros por perseguição. Mas se calhar estou a ficar antiquado, pois o ciclo de vida na blogosfera é muito curto.



[eu gostava da erudição o Mr. Infinite Fool (agora só com acesso reservado), mas quando ele iniciou uma campanha irónica, apelando ao voto em si próprio para presidente do Estados Unidos da América, caíram-lhe todos em cima e ele teve que fechar a casa. Passou à clandestinidade. Ainda antes o Orgy in Rhythm manifestou-se cansado e fechou o tasco. Voltou agora, óptimo! Deixou uma legião de fãs e seguidores, que lhe pediam postais emprestados, como o Ile Oxuma. Agora foi o Reza que desapareceu sem deixar rasto. Eu não acompanhei os últimos momentos de vida, mas cheira-me a perseguição, conforme o manifesto que lá deixou. Muitos outros desapareceram; só espero que muitos mais apareçam: ... ... ...]



[Entretanto apareceu um projecto interessante baseado nisto: http://en.wikipedia.org/wiki/1001_Albums_You_Must_Hear_Before_You_Die: A possibilidade de ouvir os 1001 albuns! (em http://www.radio3net.ro/1001/) Também vale a pena dar uma vista de olhos em http://1001albums.blogspot.com/ e http://1001albuns.blogspot.com/]

Fontes: http://www.bocalivre.org/index.php?id=1&msg_cod=159

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Quem é que espirrou? Ai, que apanhei uma pneumonia!

Mais uma conta para pagar

Descubro pelos jornais o que, com boas e históricas razões, já sabia: sou eu (isto é, você, leitor) quem vai pagar os milhares de milhões de dólares de dívidas que levaram o banco Lehman Brothers (LB) à falência.

A acrescer à factura que já nos estava (a mim e a si, leitor) a ser cobrada pelo também americano colapso do crédito hipotecário de alto risco ("subprime", dizem eles) e às que iremos pagar a seguir pela cascata de falências financeiras que, depois da do LB, aí virão. A beleza do capitalismo especulativo na sua versão selvagem e neoliberal é que, quando um especulador global espirra, nós, os mal agasalhados, apanhamos uma pneumonia. E quando, como eles também dizem, "a economia real arrefece" nós é que tiritamos de frio. Parafraseando o Papa, "o amor (deles) ao dinheiro é a raiz de todos os (nossos) males". Fosse eu dado a coisas "new age" e veria nesta tumultuosa espécie de neo-Grande Depressão uma mão astral. Não é que, algures além-túmulo (e, pelos vistos, aquém-túmulo) os maléficos utopistas Marx e Engels estão nesta altura a comemorar os 160 anos do Manifesto Comunista?

[Manuel António Pina no Jornal de Notícias, 17 de Setembro de 2008]

[ouvindo shove it right in, frank zappa, 200 motels, 1971]