sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Linguagem e meta-linguagem: a "Fantasia Lusitana" de João Canijo


 [Escrevia assim a 22 de Maio 2010]

Tenho estado a pensar sobre como reagi ao visionamento de “Fantasia Lusitana”, de João Canijo. Imagens de Portugal há 70 anos, propaganda ao regime fascista de Salazar; sons que a minha Avó me cantava e cantou durante grande parte da sua vida.

A saia da Carolina
Tem um lagarto pintado
Sim Carolina ó - i - ó - ai
Sim Carolina ó - ai meu bem

Tem cuidado ó Carolina
Que o lagarto dá ao rabo
Sim Carolina ó - i - ó - ai
Sim Carolina ó - ai meu bem

(…)
[Não conheço a origem da letra e música, mas segundo o sítio cantodaterra.net é popular.]

Imagens dos tempos do meu Avô, que viveu a maior parte da sua vida nesse regime autoritário, que é o nosso, passados os 36 anos da revolução democrática. [As incríveis e premonitórias imagens do lançamento da Nau Portugal, que o meu Avô assistiu ao vivo.]
 As imagens de "Fantasia Lusitana" são sobretudo do período da Exposição do Mundo Português, de 1940, em Lisboa [A página da wikipedia sobre o evento é pouco recomendável]. Cinco anos depois, a Alemanha perdia a guerra e o sonho nazi de Salazar despertava-o para a dura realidade da vitória dos países democráticos ocidentais, que agora reclamavam a Base das Lajes, nos Açores.
 [A Base das Lajes esteve sob domínio inglês e dos aliados desde 1943 e foi reclamada pelos norte-americanos, a grande potência aliada-vencedora, logo a partir de 1945. Em troca, os americanos incluíam Portugal no Plano Marshall. Salazar recusou. E esteve a tentar protelar a entrega da base até ao último momento, acreditando sempre que o seu “velho” aliado inglês conseguiria travar o ímpeto americano. Estava enganado. E acabou por entregar a base em 1950-51, a troco de uns míseros 70 milhões de dólares do Plano Marshall.]

A certa altura da “Fantasia de Canijo” pensei em vomitar, sem estar indisposto. Não há lugar a sorrisos quando espreitamos o nosso passado.

A movimentação de massas continua hoje como no Portugal de Salazar. Mais moderna e descontrolada: Eu vou! Ao Rock in Rio, depois vou ao futebol e se o meu clube ganhar, vou em peregrinação a Fátima, ouvindo o álbum do Mickael Carreira no iPod. Sindicatos e Partido Comunista movimentam a outra massa, a dos trabalhadores, aquela que o regime fascista de Salazar ou, se preferirem, o regime autoritário que evoluiu desde 1945, procurou explorar de forma a ser o sustentáculo de um mundo fechado, enganado, excluído, injusto, ignorante. [Os partidos da direita também movimentam as suas massas, mas a troco de jantares e viagens de camionetas. Explicações ficam para outra altura.]

 “Fantasia Lusitana” vale também pelas raras imagens de Salazar fazendo a saudação romana; por desvendar os mecanismos e protagonistas da propaganda fascista e do controlo de massas; pelos relatos que os europeus acossados faziam de nós, do nosso país e do nosso atraso; também por uma rara exibição da imagem do ditador fascista espanhol Francisco Franco, que transfigurava o ditador.

Gosto muito de “Fantasia Lusitana”, mesmo sendo um filme menor. Um filme menor por ser uma colagem de imagens de arquivo da RTP [muitas captadas em película, das séries documentais e noticiosas que o regime promovia]. Quantos de nós tem acesso às imagens de arquivo da RTP, para fazer um filme? Neste caso, faz quem pode! Mas as imagens não são tudo. Canijo convidou Hanna Shygulla, Rudiger Vogler e Christian Patey para lerem as cartas e os relatos dos refugiados europeus que passaram por Lisboa, fugindo à guerra. E esses relatos dizem muito sobre como éramos, como eram os nossos avós e bisavós. E isso impressionou-me muito.

[Comprei, entretanto, o DVD em edição especial do jornal Público, penso que ainda em 2010. E confirmei o sentimento, agora mais sereno. Espero voltar mais tarde a João Canijo e a essa obra maior do cinema português contemporâneo "Sangue do meu Sangue" (2011).]

 [Imagem não assinada da Base das Lajes retirada de folklusitania.heavanforum.org; imagem não assinada de Salazar e Franco retirada de canalhistoria.pt; imagem não assinada de casal na praia, do filme de João Canijo "Fantasia Lusitana" (2010) retirada da produtora e distribuidora, Periferia Filmes.]

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Jornalistas Portugueses na Greve Geral de 24 de Novembro de 2011 – Guia essencial para participação da classe

A foto ilustra uma notícia sobre a greve decidida pelos jornalistas pernambucanos, a 7 de Novembro de 2011, e foi publicada originalmente pelo OmbudsPE.org.br, um projecto de comunicação do Centro de Cultura Luiz Freire, a quem agradeço a reprodução.
 «Aos jornalistas (sócios e não sócios do Sindicato de Jornalistas)

Como se sabe, a Direcção do Sindicato dos Jornalistas apoiou a convergência das duas centrais sindicais na convocação de uma greve geral para o próximo dia 24 e tem explicado aos jornalistas as razões pelas quais é importante a participação de todos nesta jornada de luta. Nesse sentido, apresentou e publicou um pré-aviso de greve de 24 horas, abrangendo os jornalistas ao serviço das entidades singulares e colectivas proprietárias de órgãos de comunicação social.

Procurando apoiar os jornalistas nas formas de participação na Greve Geral que queiram adoptar, bem como esclarecer dúvidas que ainda persistam relativamente ao exercício desse direito, a Direcção pede a maior atenção para o seguinte:

1. Direito à greve – O direito à greve é garantido a todos os jornalistas, independentemente da natureza do vínculo contratual, da posição hierárquica na empresa, da localização do posto de trabalho e da qualidade de associado.

2. Direito ao silêncio – As empresas não podem recolher informações prévias sobre os jornalistas que tencionam ou não aderir à greve, nem os trabalhadores são obrigados a prestar essa informação, seja a que pretexto for, não podendo o seu silêncio sofrer qualquer sanção. Todas as iniciativas das empresas com esse objectivo devem ser denunciadas.

3. Sem restrições – O jornalismo não é uma actividade compreendida nas obrigações de serviços mínimos nem há qualquer restrição ou excepção legais ao direito de participação dos jornalistas na greve, não podendo ser aceite qualquer pretexto imposto pelas empresas, inclusivamente o fecho de edições.

4. Excepções – Em caso de situações excepcionais, designadamente catástrofes naturais de grande magnitude ou calamidade pública, será o próprio Sindicato dos Jornalistas a determinar a suspensão total ou parcial da greve, com vista à adequada cobertura informativa dessas ocorrências.

5. Período de paralisação – O pré-aviso e greve abrange todo o dia 24 de Novembro, isto é, entre as 00h00 e as 24 horas. Os jornalistas cujos horários de trabalho se iniciem antes das 00h00 ou terminam após as 24 horas paralisam por todo o tempo de trabalho desde que o mesmo seja maioritariamente prestado nesse dia.

6. Adesão – A adesão dos jornalistas à greve consiste na sua não comparência ao trabalho e não carece de qualquer formalidade, nem sequer de justificação, nem prévia nem posterior, uma vez que o pré-aviso de greve constitui justificativo bastante. Os jornalistas que decidam aderir à greve já no decurso da respectiva jornada de trabalho podem abandoná-la a qualquer momento.

7. Permanência nas redacções – Os jornalistas em greve devem abster-se de permanecer no interior das redacções, mesmo que a pretexto de realização de tarefas que não se relacionem com a edição do dia. O eventual acesso aos locais de trabalho para efeito de verificação de adesões à greve deve ser feito de forma breve e discreta e sem interferir no direito a trabalhar de outras pessoas.

8. Piquetes e concentrações nas empresas – Nas empresas onde for possível, nomeadamente na sede da Agência Lusa, na sede da RTP e na RTP-Porto, os jornalistas que puderem deslocar-se por meios próprios deverão concentrar-se com outros trabalhadores à porta das instalações, pelo maior período de tempo possível.

9. Concentrações sindicais – A fim de dar expressão pública à jornada de luta, o movimento sindical realiza concentrações de trabalhadores em várias dezenas de localidades, especialmente nas capitais de distrito. É importante a participação também dos jornalistas que puderem deslocar-se para esses pontos.

10. Pequenos actos – O êxito da greve geral também pode ser obtido através de pequenos mas importantes actos, tanto pelos trabalhadores em greve como por aqueles que não têm condições para cumprir a greve como gostariam, contribuindo para dar força a esta luta.

Alguns exemplos:

- Não utilizar transportes públicos;

- Em caso de utilização de transporte próprio, reabastecer o combustível na véspera;

- Fazer as refeições em casa, de preferência preparadas de véspera. Em caso de necessidade de fazer refeição fora, levar de casa;

- Abster-se de fazer compras no dia, precavendo-se das necessárias na véspera e adiando as menos urgentes para o dia seguinte;

- Reduzir ao mínimo estritamente indispensável o consumo de electricidade, gás, água e de comunicações telefónicas;

- Não levar os filhos às creches/jardins-de-infância e escolas;

- Abster-se de recorrer a serviços públicos e/ou privados a não ser em caso de absoluta necessidade.

Lisboa, 23 de Novembro de 2011

A Direcção do Sindicato de Jornalistas»

Se quiser saber mais sobre os direitos e deveres dos trabalhadores em greve deve consultar este postal: http://meiosdeproducao.blogspot.com/2010/11/tudo-o-que-voce-sempre-quis-saber-sobre.html


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Los indignados españoles


 ¿Dónde están los indignados de España, los que habían ocupado las plazas de Madrid y Barcelona? ¿E que habíam sido la inspiración de los indignados de toda la Europa y también de los Estados Unidos? 

¿Dónde están? 

¿Quedaram todos en sus habitaciones? ¿No habían hido votar? ¿No podrían votar? ¿O habían hido todos a votar en la derecha? ¿En lo PP español, en los populares españoles, los que defendem la Europa de Merckel?

Me deen una plaza solo para mí!

[imagen retirada de www.clarin.com]