quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Quem é que espirrou? Ai, que apanhei uma pneumonia!

Mais uma conta para pagar

Descubro pelos jornais o que, com boas e históricas razões, já sabia: sou eu (isto é, você, leitor) quem vai pagar os milhares de milhões de dólares de dívidas que levaram o banco Lehman Brothers (LB) à falência.

A acrescer à factura que já nos estava (a mim e a si, leitor) a ser cobrada pelo também americano colapso do crédito hipotecário de alto risco ("subprime", dizem eles) e às que iremos pagar a seguir pela cascata de falências financeiras que, depois da do LB, aí virão. A beleza do capitalismo especulativo na sua versão selvagem e neoliberal é que, quando um especulador global espirra, nós, os mal agasalhados, apanhamos uma pneumonia. E quando, como eles também dizem, "a economia real arrefece" nós é que tiritamos de frio. Parafraseando o Papa, "o amor (deles) ao dinheiro é a raiz de todos os (nossos) males". Fosse eu dado a coisas "new age" e veria nesta tumultuosa espécie de neo-Grande Depressão uma mão astral. Não é que, algures além-túmulo (e, pelos vistos, aquém-túmulo) os maléficos utopistas Marx e Engels estão nesta altura a comemorar os 160 anos do Manifesto Comunista?

[Manuel António Pina no Jornal de Notícias, 17 de Setembro de 2008]

[ouvindo shove it right in, frank zappa, 200 motels, 1971]

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Site Meter sucks!

Site Meter sucks! Pensava eu ontem, já à procura de um novo contador de páginas. Migrei as minhas contas para o novo site meter e o resultado foi miserável. Era complicado de perceber o tráfego e nem sequer mantinha as mesmas funcionalidades que deram fama e proveito ao site meter. Mas eis senão quando: tudo voltou à forma original! Parece que receberam tantas queixas em tão pouco espaço de tempo que desistiram da nova apresentação. Pois eu estou muito bem assim, antiquado mas muito prático. Já agora, o principal candidato para o lugar do site meter era o google analytics.

É património? Botabaixo!

Maria Keil


Esta senhora bonita é a nossa amiga Maria Keil, artista plástica.
Em 1941, via-se a si própria desta maneira.


Maria Keil (gosta que a tratem apenas por Maria) nasceu na cidade de Silves, em 1914. Partilhou a maior parte da sua vida com o arquitecto Francisco Keil do Amaral, com quem se casou, muito jovem, em 1933.

De lá para cá fez milhares de coisas, sobretudo ilustrações, que se podem encontrar em revistas como a “Seara Nova”, livros para adultos e “toneladas” de livros infantis, os de Matilde Rosa Araújo, por exemplo, são em grande quantidade. Está quase a chegar aos 100 anos de idade de uma vida cheia, que nos primeiros tempos teve alguns “sobressaltos”, umas proibições de quadros aqui, uma prisão pela PIDE, ali... as coisas normais para um certo “tipo de pessoas” no tempo do fascismo.

Para esta “história”, no entanto, o que me interessa são os seus azulejos. São aos milhares, em painéis monumentais, espalhados por variadíssimos locais. Uma das maiores contribuições de Maria Keil para a azulejaria lisboeta, foi exactamente para o Metropolitano de Lisboa. Para fugir ao figurativo, que não era o desejado pelos arquitectos do Metro, a Maria Keil partiu para o apuramento das formas geométricas que conseguiram, pelo uso da cor e génio da artista, quebrar a monotonia cinzenta das galerias de cimento armado das primeiras 19, sim, dezanove estações de Metropolitano. Como o marido estava ligado aos trabalhos de arquitectura das estações e conhecendo a fatal “falta de verba” que se fazia sentir, o Metro lá teve de pagar os azulejos, em grande parte fabricados na famosa fábrica de cerâmica “Viúva Lamego”, mas o trabalho insano da criação e pintura dos painéis... ficou de borla. Exactamente! Maria Keil decidiu oferecer o seu enorme trabalho à cidade de Lisboa e ao seu “jovem” Metropolitano.

Estes pormenores das estações do “Intendente” (1966) e “Restauradores” (1959), são bons exemplos.


Parêntesis: Qualquer alteração na “Gare do Oriente” do Arq. Calatrava, ou nas Torres das Amoreiras, do Arq. Tomás Taveira, só a título de exemplo, têm de ser encomendadas ao arquitecto que as fez e mesmo assim, ele pode recusar-se a alterar a sua obra original. Se os donos da obra avançarem para a alteração sem o acordo do autor, podem ter por garantido um belo processo em tribunal, que acabará numa “salgada” indemnização ao autor.

Finalmente, a história! Recentemente a Metro de Lisboa decidiu remodelar, modernizar, ampliar, etc, várias das estações mais antigas e não foram de modas. Avançaram para as paredes e sem dizer água vai, picaram-nas sem se dar ao trabalho de (antes) retirar os painéis de azulejos, ou ao incómodo de dar uma palavra que fosse à autora dos ditos. Mais tarde, depois da obra irremediavelmente destruída, alguém se encarregaria de apresentar umas desculpas esfarrapadas e “compreender” a tristeza da artista.

A parte “realmente boa” desta (já longa) história é que ao contrário de quase todos os arquitectos, engenheiros, escultores, pintores e quem quer que seja que veja uma sua obra pública alterada ou destruída sem o seu consentimento, Maria Keil não tem direito a qualquer indemnização.

Perguntam vocês “porquê, Samuel?” e eu tão aparvalhado como vós, “Porque na Metro de Lisboa há juristas muito bons, que descobriram não ser obrigatório pedir nada, nem indemnizar a autora, de forma nenhuma... exactamente porque ela não cobrou um tostão que fosse pela sua obra!!!

Este país, por vezes consegue ser “ainda mais extraordinário” do que que é o seu costume! Ou não?

[mensagem enviada pelo Acácio Barradas através do José Luiz Fernandes]

[ouvindo dolphins, beth orton + terry callier, best bit ep, 1998]

sábado, 13 de setembro de 2008

Desisto, vou ver um DVD!

À atenção do Provedor da RTP, direcção e administração da RTP


Como é costume, o serviço público de televisão, cujo passivo é pago pelas famílias portuguesas através de uma taxa paga na conta da electricidade, continua a subverter todas as regras do bom senso jornalístico e a potenciar toda a falta de seriedade e meias verdades junto dos utentes deste serviço.


O Jornal da Noite de hoje, dirigido pela inenarrável Judite de Sousa, abriu às 20h00 com cinco minutos dedicados à entrega da bota de ouro ao atleta Cristiano Ronaldo, no valor de 150 mil euros. Assunto de relevância nacional? Não me parece. Este exemplo para todas as crianças a nível mundial e que muito aprecio dentro dos relvados, não chega a ter o 9.º ano de escolaridade e tem nítidas dificuldades de expressão em português e inglês. A segunda notícia era precisamente o primeiro-ministro a regozijar-se pelos bons resultados alcançados pelos alunos portugueses nos últimos exames nacionais!


Nessa peça sobre o futebolista – que teve um directo com a mãe de Cristiano Ronaldo às 20h13 –, a inenarrável Judite de Sousa referiu-se sempre a um hotel do Funchal onde decorria a cerimónia, sem nunca dizer o nome, mas já não teve problemas em dizer que o patrocinador do evento era o Banif – Banco Internacional do Funchal. Terá conta lá?


E já agora, como utente e pagante, aconselho os jornalistas da RTP a recorrem a outras fontes de informação, que não só as agências de notícias norte-americanas, para noticiar com seriedade e isenção o que se está a passar na Bolívia, anunciado como o princípio de uma guerra civil. A pivot do telejornal apresentou a situação na Bolívia no sumário do telejornal, lançou outro flash a seguir à primeira notícia sobre o Cristiano Ronaldo e depois lançou, em terceiro lugar no alinhamento, a notícia da Bolívia que não demorou mais que um minuto! Porquê tanto alarido se a notícia era tão pequena e não mostrava sequer o presidente Evo Morales, mas os seus opositores?


(Às 20h35 o mesmo telejornal dava a notícia que avançámos aqui há pouco: o Rap do Acelerador de Partículas! Mas a notícia só dizia que o vídeo do You Tube foi visitado por milhares de pessoas e não se sabia se a jovem cientista que o fez ia ter uma promissora carreira na ciência ou no rap… Bem, eu agora acrescento que apesar da brincadeira, foi uma das melhores explicações que vi e ouvi sobre o trabalho que se faz há alguns anos no CERN e na área da Física.)


Senhor provedor da RTP, senhores directores e administradores da RTP: desisto de ver o telejornal às 20h35. Para mim, meia hora de notícias na televisão é o suficiente. Ainda por cima vem aí mais Cristiano Ronaldo e Madonna, a febre da Madonna. Desisto, vou ver um DVD!


[ouvindo a nova-brigada-dos-coronéis-de-lápis-azul, fausto, a ópera mágica do cantor maldito, 2003]


Azul era a cor que os censores do regime político português, entre 1926 e 1974, utilizavam para avaliar e riscar aquilo que podia ser lido, visto, ouvido e apreciado.

Os capitalistas comunistas!

Leituras: Paulo Querido no seu Certamente que sim!

Afinal o mundo ainda não acabou, pois não?



[obrigado ao irreal tv]

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Os negócios da Saúde em Portugal

Boaventura Sousa Santos sobre a Saúde em Portugal
(via Agência Carta Maior)

http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3967

[ouvindo they were insane, lounge lizards, big heart (live in tokyo), 1986]

Patrões da Imprensa em Moçambique

Os patrões da imprensa portuguesa vão passear a Moçambique. A API realiza em Maputo o seu 12.º Congresso, subordinado ao tema "A Lusofonia e o Desporto", entre os dias 13 e 14 e Setembro. O congresso inclui ainda uma vista à Africa do Sul para visitar as obras de preparação para o Mundial de Futebol de 2010. Do painel de conferencistas – que será inaugurado pelo presidente moçambicano Armando Guebuza – fazem parte eminentes políticos e empresários como António Almeida Santos (presidente de honra do congresso), Augusto Santos Silva, que é o ministro português dos assuntos para a Comunicação Social, José Luis Arnault, antigo ministro do PSD, e o José Manuel Barroso, presidente do conselho de administração da Lusa, agência de notícias do Estado Português.

Um alerta aos jornalistas precários que trabalham para os patrões da imprensa portuguesa: vocês também podem ir ao congresso, a viagem, com estadia incluída, custa a módica quantia de 1650 euros por pessoa que podem ser pagos em 12 prestações de 146,28 euros por mês. As inscrições devem ser feitas na Mundicor, que é a agência de viagens oficial dos congressistas.

[ouvindo style it takes, john cale, live, 2007]