quinta-feira, 1 de maio de 2008

reflexões sobre a treta

A credibilidade dos órgãos de comunicação e da sua informação deixa muito a desejar.

Em Portugal há milhares de jornais, entre diários, semanários, quinzenários ou mensais. Algumas centenas de rádios, regionais e nacionais, entre estas três canais de serviço público; e mais quatro canais de televisão em sinal aberto, entre eles dois do Estado, também de serviço público.

Entre os milhares de jornais, quatro ou cinco são considerados de referência, isto é, o que eles dizem é credível. O panorama é semelhante nas rádios, sendo que alguma são rádios de noticias.

A credibilidade das televisões já se mede de forma diferente, é o poder da imagem e da cor. Um dos canais de serviço público, generalista, é igual a outros dois, privados. Os dois momentos mais importantes na informação estão nos noticiários das 13h00 e das 20h00. Um quarto canal, de serviço público, está gradualmente em extinção: repete o noticiário do outro, às 22h00, e só passa séries e filmes repetidos. Há ainda uma agência de notícias, que também pertence ao Estado, que agora não é para aqui chamada (é preciso conhecer o seu envolvimento neste caso).

Vem isto a propósito desta notícia. Saiu, em primeira mão, num jornal diário actualmente de cariz regionalista, mas que conta com 130 anos de história. A notícia em si é alarmante: uma esquadra de polícia fechada porque dois dos seus agentes estão internados com tuberculose, uma doença mortal altamente contagiosa. E de comunicação obrigatória às autoridades nacionais se detectada por médicos. Aponta para outras questões, como a falta de condições das esquadras de polícia em Portugal ou para o estilo de vida de alguns dos polícias, que têm ordenados tão baixos, que se vêem obrigados a dividir-se por dois ou mais empregos para alimentar as suas famílias.

Esta notícia teve hoje dimensão nacional, mas não por causa do jornal que a publicou. Às 11h00 esta rádio estava a dar a notícia como sua, a partir de fonte sindical. Às 13h00 estes dois canais de televisão também davam a notícia como sua. Às 20h00 todos os canais de televisão também davam a notícia como sua.

Rapinagem de notícias? Não senhor! A mesma rádio que pegou na noticia da tuberculose, às 11h00, também dava
esta notícia e dizia onde é que a tinha lido! Os canais de televisão, às 13h00 e às 20h00, também todos deram a mesma notícia e todos disseram onde é que a tinham lido.

Que credibilidade tem um órgão de informação que cita uma fonte e não cita outras? Um consumidoer de informação que só lê um jornal, que só ouve uma rádio e só vê uma televisão deve dar-lhe toda a credibilidade (ainda que esse jornal, essa rádio e essa televisão sejam do mesmo grupo económico. Isto é outro assunto - soon here). Mas se o consumidor ouvir várias rádios, ler vários jornais e ver várias televisões, pode aperceber-se do truque das credibilidades.

A credibilidade de um órgão de informação, quem a faz são as pessoas, os jornalistas, os agentes da informação. Afinal, se um jornalista só dá credibilidade a um órgão e não a outro é porque é um fraco jornalista ou é porque só cita noticias do seu próprio grupo económico e é um medíocre jornalista.

E no entanto, nada disto é importante para o consumidor ou detractor da notícia.